domingo, 24 de agosto de 2008

Cattleya granulosa



Genuinamente nordestina, a Cattleya granulosa habita os Estados do Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Paraíba. Não há ocorrência nos Estados do Ceará, Piauí, Maranhão e Bahia, muito menos na Guatemala, como já constou em algumas literaturas. Na verdade há uma confusão em torno de uma muito parecida que ocorre nos Estados do Espírito Santo e Bahia, a Cattleya schofieldiana.
Orquídea bifoliada e robusta, que chega a atingir 90 cm de altura e a produz muitas flores numa haste floral. Segundo Dr. Roberto Guerra, orquidófilo de Natal, "não existe uma planta geneticamente igual a outra. Existe um grande universo de plantas, que varia sua coloração basicamente em torno de três pigmentos: o verde, o amarelo e o vermelho, que se mesclam em um cadinho mágico criando muitas vezes cores fantásticas. De acordo com o predomínio do pigmento, existem as marrons clara e escura e até vermelhas ou marrons-avermelhadas, além de outras tonalidades de marrom que lembram a cor cúprea e o salmão. Há as amarelas que estão mescladas mais com a cor verde, que contrastram muitas vezes com a cor vermelha ou rosa do labelo, desta maneira corresponderiam as semi-albas das labiatas", concluí o orquidófilo potiguar.
Outro fator que podemos levar em conta é a presença ou não de pigmentação. Ao cultivar a Cattleya granulosa dê preferência a vaso de cerâmica ou cachepô de madeira com fibra de coco e uma boa drenagem no fundo do vaso. Adubação, principalmente na fase de desenvolvimento e regas diárias, na parte da manhã.
Habita a faixa litorânea do Nordeste e prenominante nas restingas. No Rio Grande do Norte ocupa uma faixa de 2 a 20 Km que vai desde o município de Canguaretama (ao sul) até o município de Touros (ao norte). Vegeta desde ao nível do mar ao topo de algumas dunas. Em Pernambuco e Alagoas ocorrem em regiões distintas, tanto ao nível do mar, como em altitudes de 1000m, dividindo espaço com a Cattleya labiata, ocorrendo o híbrido natural Cattleya Le Czar. João Felismino de Jesus Filho, orquidófilo de Natal, descobriu um novo híbrido natural da Brassavola tuberculata com a Cattleya granulosa em Rio do Fogo, distrito de Punaú, área litorânea daquele Estado. Trata-se da xBrassocattleya felisminiana Campacci.

E por falar em híbridos o homem não perdeu tempo, criou alguns belíssimos, aproveitando a robustez da Cattleya granulosa. Citamos alguns:
Cattleya kerchoveana Peeters = Cattleya granulosa Lindl. x Cattleya schilleriana
Cattleya greyae reg. Wigan = Cattleya granulosa Lindl. x Cattleya velutina Rchb. f.
Cattleya marie gratix reg. Gratix = Cattleya harrisoniana Batem. ex Lindl. x Cattleya granulosa
Cattleya lucieniana = Cattleya forbesii x Cattleya granulosa

Texto e foto: Vera Coelho
Fontes: O Mundo das Orquídeas nº06, Ano 2, pág. 5
Boletim CAOB Nº 53, ano 2004

7 comentários:

Sergio Luiz disse...

Não é de se admirar que Vera Coelho tenha chegado à perfeição em seu blog.É cultura,ciência e acima de tudo amor por essas jóias da natureza.
Parabéns Ceará, pelos filhos quem brilham no teu solo.
Parabéns Vera, você nos dá força para lutar pela natureza.
Sergio Costa
Maceió-AL.

Adenium - Rosa do Deserto disse...

Meu amigo Sérgio,

Fico lisongeada com seu comentário. Quando pensei num blog, pensei nos amigos e no que eles gostariam de escrever. Que tal um artigo das orquídeas da bela Maceió?
Grande abraço,
Vera Coelho

Adenium - Rosa do Deserto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Adenium - Rosa do Deserto disse...

Considerações da amiga Delfina de Araújo, grande orquidófila do Rio de Janeiro a respeito do texto do Dr. Roberto Guerra, orquidófilo de Natal-RN e publicado na revista O Mundo das Orquídeas. Vejam abaixo:
Vera, minha querida,
entrei no seu blogo sobre a Cattleya granulosa e gostaria de pedir licença para fazer algumas observações.
Você diz que "o homem não perdeu tempo, criou alguns belissimos, aproveitando ..."
e cita plantas que são híbridos naturais como sendo artificiais.
Como a Cattleya kerchoveana, híbrido natural, foi encontrada no estado do Espírito Santo quando se considerava a Cattleya schofieldiana como sendo uma variedade da C. granulosa, nós podemos supor que seja um híbrido natural não de granulosa mas de schofieldiana. Naturalmente, a coisa se complica pois as plantas de kerchoveana obtidas artificialmente são resultados de cruzamento, muitas vezes, de C. granulosa e não de schofieldiana.
Você cita também Cattleya greyae reg. Wigan = Cattleya granulosa Lindl. x Cattleya velutina Rchb. f.
e a observação é a mesma, um híbrido natural encontrado no Espírito Santo, logo não pode ser granulosa.
Assim como x marie gratrix reg. Gratrix , também encontrado no Espírito Santo.
Quanto à Catttleya x lucieniana descrita por Rchb. f. que eu saiba é um híbrido de C. harrisoniana Batem. ex Lindl. e C. leopoldii Verschaff. ex Lem. e não forbesii x granulosa
C. forbesii x C. granulosa é um híbrido artificial cujo nome é C. Priscilla Ward, registrado em 1954 pelo orquidário Woodlawn's.
Um beijo
Delfina

Adenium - Rosa do Deserto disse...

A título de informação, a Cattleya schofieldiana, embora tenha sido descrita por Rchb. f. em 1882 com este nome, foi considerada durante muito tempo como uma forma ou variedade da Cattleya granulosa, inclusive por Guido Pabst que incluiu sua ocorrência na lista da C. granulosa. Em razão disto, os híbridos que foram encontrados no Estado do Espírito Santo foram descritos como sendo cruzamento de C. granulosa e não de C. schofieldiana.
Bjs
Delfina

Roberto Guerra disse...

Minha cara Orquidófila Vera Coelho:
Gostei muito do seu Blog e agradeço a citação de meu nome. Gostaria de lhe lembrar alguns hibridos naturais da C. granulosa: Le Czar que é com a C. labiata e ocorre nas Serras de Pernambuco e Alagoas e a BC Felisminiana que ocorre no Rio Grande do Norte e que é o cruzamento com a Brassavola tuberculata.
Um grande abraço Roberto Guerra

Paulo disse...

Na Bahia, tem cattleya granulosa demais!!!!