sábado, 12 de dezembro de 2009

sábado, 7 de novembro de 2009

Sociedade de Assistência aos Cegos, uma instituição de AMOR!



Quem passa pela Av. Bezerra de Menezes em frente à Sociedade de Assistência aos Cegos não faz a menor idéia da grandiosidade do trabalho daqueles profissionais abnegados e da Presidente Maria Josélia Sá e Almeida.
Tivemos a felicidade de visitar todos os seus centros ao lado da Sra. Josélia, que nos mostrou com muito carinho e orgulho "de mãe" todo o funcionamento do SAC através dos professores e coordenadores.
Funciona ali o Instituto Hélio Góes, educando crianças e jovens, da educação infantil ao ensino fundamental.
O Serviço Social acompanha o deficiente visual proporcionando uma vida de qualidade, com encaminhamentos nas áreas de Prevenção, Educação, Saúde e Profissionalização.
Através de atividades como o artesanato, a locomoção motora é estimulada, bem como a auto-estima. Muitos talentos são revelados.
E por falar em talentos, o Projeto Pedagógico Cultural "Tudo a Ver" descobre através do canto, da dança, da pintura, da arte de representar. Jovens se revelam e exercitam a cidadania. Conhecemos o jovem Italo, que além de cantar muito bem, ainda compõe.
A orientação e mobilidade é um programa que transmite aos deficientes visuais a segurança de andar, atravessar uma rua, andar de ônibus, circular numa praça.
Estivemos presentes também na Biblioteca Braille Josélia Almeida com muitos livros traduzidos para o Braille.
A CDteca é um centro onde as crianças, jovens e adultos aprendem através dos sons, ou seja, livros de poesias são gravados para o CD. O Projeto Curumim é um Centro de Gravação de Livros Falados, onde voluntários emprestam a sua voz, num gesto solidário, gravando livros didáticos e literários. É formado pela Rádio DOSVOX, apresentado por crianças.
Na Brinquedoteca a criança desperta o gosto pela brincadeira ao mesmo tempo que desenvolve a locomoção motora.
Um dos centros mais importantes é a Imprensa Rosa Baquit, onde é feita a digitação em Braille ou a tinta, depois de encadernado, o livro ou jornal é encaminhado à biblioteca para consulta. O esporte é uma prática constante dos alunos, quer nadando, praticando hidroterapia, correndo, jogando. O Prof. Vicente é o responsável por esta área e está implantando o uso da bicicleta para diminuir as limitações. Conhecemos o Prof. Paulo Roberto, do Centro de Estudos DOSVOX Prof. José Antonio Borges, sistema implantado para que o deficiente visual acesse editores de textos, internet e outros programas.
O Centro de Prevenção à Cegueira Cel. José Bezerra de Arruda tem uma equipe de Terapeutas Ocupacionais, Fisioterapeutas, Odontólogos, Fonoaudiólogos, Psicólogos e Estimulação Visual que procura detectar possíveis deficiências para desenvolver um trabalho de superação.
O Centro de Capacitação Profissional e Inserção no Mercado de Trabalho, abre as portas para o deficiente visual se capacita para trabalhar. Todos estes centros funcionam gratuitamente.
E como tudo isto é mantido? Alguma ajuda do Governo? Que nada!
A Sociedade de Assistência aos Cegos é mantida pelo Hospital Alberto Baquit Júnior, cujas verbas arrecadadas dão suporte ao trabalho social. Mas isto não basta! Esta obra gigantesca plantada em 19 de setembro de 1942 necessita que nossos governantes olhem mais com mais atenção. Se todos pudessem conhecer o trabalho, a dedicação destes profissionais, que dedicam suas vidas e seus conhecimentos com amor,  paciência e dedicação, com certeza teriam outra visão. Nunca é tarde! Não é preciso ter olhos para ver, procure ver com o coração.
Quarta-Feira passada, dia 04/11/09 participamos como representantes da ACEO, do cerimonial que todos os dias é realizado às 13h. Fomos fazer o convite a todos da SAC para participarem do 3º FestOrquídeas de Fortaleza a ser realizado no período de 13 a 15 deste mês, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Durante a exposição o deficiente visual vai poder ler em Braille um texto sobre Cultivo de Orquídeas, tocar em algumas plantas e tirar suas dúvidas. A SAC ficou de comparecer no dia 13, Sexta-Feira, a partir das 13h. Será um ato de cidadania e de muita emoção.


Aqui, fotos que tirei no dia do cerimonial.

Juliana - Diretora de Eventos responde as perguntas dos jovens sobre o cultivo de orquídeas.






Professores e alunos escutam atentamente nossas explicações.

                                                                                                                                                                                                                                                                         Duas coisas me chamaram mais atenção: a disciplina e a alegria estampada no rosto de cada um.

Dia 05 de dezembro haverá um dia de ação e cidadania. É a oportunidade que você tem de adquirir um artesanato confeccionado pelos alunos e colaborar de alguma forma com a Sociedade de Assistência aos Cegos. Deixo uma sugestão, que tal doar aquela bicicleta velha e quebrada que está esquecida em sua casa, tenho certeza que será recuperada e passará a ser usada pelos jovens em suas atividades esportivas.
Vera Coelho é Orquidófila e Vice Presidente da Associação Cearense de Orquidófilos.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Vamos falar de substratos.


Onde plantar uma orquídea? Esta pergunta sempre é feita por um orquidófilo ainda na fase inicial. No entanto, várias são as opções de plantio. O prof. René Rocha, em seu livro "ABC do Orquidófilo para uma, várias e muitas orquídeas", nos dá uma verdadeira aula.

"Substrato tem o significado biológico de "meio" ou "nutriente" que serve de base para o desenvolvimento de um organismo. Em ecologia, refere-se a sedimento, base, meio, ou ainda qualquer superfície que possa servir de suporte a organismos vivos.
Juntando-se essas definições, podemos dizer que é o material utilizado para fixar as orquídeas, suporte para o seu desenvolvimento.
Modernamente, em orquidicultura, um substrato não precisa, necessariamente, fornecer nutrientes. Tem acepção de: "O que serve de suporte a outra existência".
Até coisa serve, até vaso vazio. Já vi orquídea plantada e vegetando nos mais variados suportes. Já as vi penduradas no ar, por apenas umas poucas e finas raízes ligadas a um fino galho de árvore; nos mais inusitados suportes, como tijolos de barro, placas de cimento, pedaços de isopor, sabugo de milho e tantos mais. Também há muitos substratos (ou suportes) totalmente inertes já de uso bastante comum, como pedriscos, seixos rolados de rio, bolotas de argila expandida e sementes diversas, como caroços de pêssego, de açaí e coquinhos. Também se usam vasos cortados em pote de cascas de frutos, como do coco-da-bahia, da castanha-do-pará e da sapucaia.
É no substrato que haverá de se fixar, e para que qualquer orquídea se desenvolva bem, o essencial é que ela mantenha seu sitema radicular em perfeitas condições, já que é pelas raízes que a planta se fixará, mas, principalmente, se nutrirá. Ao escolher o substrato para o cultivo de nossas orquídeas, devemos levar em conta de que ele precisa, fundamental e necessariamente, possuir as propriedades:
- Permitir boa aeração e não ser agressivo às raízes;
- Ter capacidade de alguma retenção de umidade e boa drenagem;
- Sofrer decomposição lenta;
- Ter boa disponibilidade e preço baixo.
Meiracylim cultivado na peroba.
Em outras palavras: a) Reter a umidade durante algum tempo, sem ficar encharcado. b) Ser de fácil uso e de longa duração. c) Ter custo acessível e fácil de ser encontrado. d) Ter pH adequado, pois a eficácia da absorção do adubo depende dele. e) Não conter resíduos, como gorduras ou substâncias químicas, taninos ou resinas que queimem as raízes da orquídea.


Oncidium cebolleta fixado num toquinho e enraizado na coluna de cimento.


Os mais diversos materiais são usados e todos com algumas conveniências e incoveniências. No Brasil ainda podemos usar o xaxim desfibrado, embora com restrições para a extração e comercialização. A opção pelo substrato a ser usado vai depender, principalmente, da sua facilidade de obtenção na região, seu baixo preço, da necessidade de umidade de cada planta, do regime pluviométrico e do clima da região em que está o orquidário. 
Algumas plantas necessitam de maior umidade no substrato, enquanto que outras não. Excetuando-se as higrófilas (amigas da água), todas as outras orquídeas não suportam umidade estagnada no substrato. Algumas são originárias de locais mais chuvosos e úmidos e de várzeas, como a Cattleya violacea, a loddigesii e o Oncidium varicosum. Outras são de locais muito secos como o Oncidium jonesianum, do cerrado mineiro, onde passa até 9 meses sem chuva, e as Cattleya walkeriana e a nobilior, que são de regiões de clima com estação seca e prolongada seguido de período de chuvas abundantes.




Brassavola tuberculata fixada em placa de xaxim e enraizada na coluna de madeira.


Cada planta requer seu cuidado específico. Daí surge o primeiro problema a resolver, quanto à escolha do substrato e a opção pelo plantio em placas de xaxim, tocos de árvores, cascas, pedras. Em vasos de barro ou de plástico com xaxim desfibrado, com pó de xaxim, com terra vegetal... E assim por diante. As escolhas dependerão, é claro, de que tipo é a planta, se epífita ou terrestre. se de lugares úmidos ou secos. Além disso tudo, existem plantas muito específicas, que teimam em não se adaptar bem a vasos. Assim as Cattleya walkeriana, a nobilior, a aclandiae e a violacea e outras que melhor se desenvolvem fora de vasos, como a maioria dos Oncidium.





                                                                                                                                      
                                                                                                                        Orquídea cultivada em nó de pinho.

Existem no mercado substratos nutrientes e os não nutrientes, os chamados inertes. O que Prof. René nos diz sobre eles:
No primeiro caso, aqueles que fornecem nutrientes à planta. Mesmo assim é necessário complementar com adubos para se obter florações mais exuberantes e regulares. Lembre-se: orquídeas crescem até em substratos inertes, que nada lhes fornecem de nutrientes. Assim são os troncos serrados e caixetas de madeira ripada e os vasos contendo apenas pedra britada ou seixos rolados de rio. E o sucesso vai depender do que você faz depois de plantar; vem com o trato cultural, com a higiene, com as regas e adubações equilibradas, a boa iluminação e ventilação, sempre aliados ao substrato adequado.
Alguns deles exigem mais regas ou mais adubação; outros não retém quase nada de nutriente ou de umidade. Cada uma dessas limitações deverá ser contornada ou utilizada a favor de determinada planta. As escolhas mais adequadas dependerão de você, e deverão ser feitas em função da planta a ser cultivada. Para descomplicar, adianto que para a maioria das orquídeas (claro que existem casos particulares), optamos por usar  um mix de vários substratos.

Agora vamos procurar falar um pouco de cada um dos substratos.
São substratos nutrientes:
O xaxim - extraído do tronco da samambaiaias arborestes, sendo o mais usado no Brasil o da Discksonia solowii. Fornece massa fibrosa de excelente qualidade e tem durabilidade de dois a três anos.
As cascas de certas madeiras - (em especial a de Pinus elliottii var. elliottii) que, após quebradas em diversas granulometrias, são tratadas, para retirar o tanino e fornece nutrientes ao se decompor. Também são usadas as de corticeiras, jacarezinhos ou de outras árvores.
O esfagno, também conhecido por musgo ou esfagno do Chile, é o nome de alguns musgos que vegetam em meios muito úmidos e ácidos. É especialmente indicado para plantas que gostam de umidade, como Miltonia, Odontonia, Sophronitis  e na composição de substratos para Paphiopedilum e para seedllings.
Troncos e galhos de certas leguminosas de madeira branco-amarelada e muito mole, leve e porosa como as Erytrinas, conforme vão se decompondo, fornecem nutrientes às plantas neles hospedadas.
Sementes de açaí e semente de pêssego: Fervidas antes do uso para não brotarem, deterioram-se rapidamente, fornecendo nutrientes nesse processo. Trocar a cada ano. Incluo neste rol de substrato o caroço da cajá, seriguela e o coco babão.








Catasetum cultivado em vaso transparente e argila expandida como substrato.


Coxim - produzido com o tecido esponjoso (parênquima) que fica entre as fibras da casca do coco e industrialmente tratada.
Casca de coco em pedaços - existem relatos de bons resultados do seu uso como vaso, tanto da casca dura e limpa (quenga) quanto dela ainda envolvida pelas fibras da casca, cortada e furando drenos na parte inferior.
Fibra de bucha do coco - Produtos da fibra do coco-da-baia ou de pedaços picados da casca. No Nordeste é utilizada há anos. É necessário um certo cuidado para retirar o tanino, colocando de molho, trocando a água por 7 a 10 dias seguidos, até não sair mais a tinta. Feito isso, põe no sol para secar e ensacar.
Dendrobium Lindley cultivado em fibra de coco.
Fibra de piaçava e fibra de coco - Quem já usou gostou enquanto eram novas, mas com menos e 1 ano surgiram problemas nas raízes. A fibra de coco prensada com pouco tempo de uso se esfacelam.
Casca de arroz carbonizada - Usada pura ou em mistura. De uso tradicional pelos japoneses em outras plantas, agora também por alguns cultivadores profissionais de orquídeas. Segundo eles, não permite o desenvolvimento de fungos, evita o trânsito de formigas e retém muito bem os nutrientes, principalmente quando é utilizado o Bokashi, adubo orgânico pré-fermentado. Substrato rico em silicio, benéfico para orquídeas.
Casca de amendoim ou de macadâmia - tem decomposição muito rápida, liberando alguns nutrientes, porém formando massa pastosa e exigindo replantios.
Maravalhas de madeiras - Já presenciamos plantas de bom vigor e enraizamento neste tipo de substrato, porém não temos nenhuma experiência com ele e pensamos que deva ser usado em misturas, em locais protegidos de chuva e após tratados contra eventuais resinas ou tanino.
São substratos inertes:
  • arlila espandida
  • brita de construção
  • cascalhinho
  • seixo rolado de rio
  • isopor picado em pedaços
  • carvão vegetal
  • cacos de telhas ou de tijolos
  • vasos de barro vazios.
Estes são os substratos mais utilizados pelos Orquidófilos. Particularmente utilizo uma mistura de casca de pinus, carvão vegetal ou brita, fibra de coco e casca de arroz carbonizada para maioria das orquídeas, salvo as microorquídeas, que gostam um pouco mais de umidade, uso esfagno em maior proporção e aquelas que gostam de substrato seco, como as Cattleya nobilior e walkeriana, uso o toquinho de sabiá, madeira abundante no Nordeste, substitui a peroba.
No 3º FestOrquídea que a Associação Cearense de Orquidófilos realizará no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, dias 13, 14 e 15 de novembro, mostrará diversos substratos para orquídeas e muitos poderão ser adquiridos nos stand´s de vendas.
Vera Coelho é Orquidófila e Vice Presidente da ACEO.