quinta-feira, 11 de junho de 2009

Orquídeas do Nordeste.

Entrevista concedida a Fernanda Oliveira, jornalista da revista "Como Cultivar Orquídeas".





1) No Nordeste as orquídeas podem ser encontradas nas serras, sertão, restinga, litoral, dunas, dependendo de cada espécie. Por exemplo, a Cattleya labiata vegeta `as serras. A Cattleya granulosa normalmente nas restingas, embora ocorra em Pernambuco a uma altitude de 1000 m acima do nível do mar.
2) As características favoráveis que esses locais apresentam é a alta umidade, a brisa que sopra do mar, em outras palavras, os ventos úmidos.
3) As orquídeas podem crescer na terra (terrestres), nas rochas (rupícolas), sobre árvores (Epífitas). No entanto o maior número é encontrado nas árvores.
4) Em se falando de Ceará, encontramos em torno de 90 espécies de orquídeas em sua maioria epífitas. Só para citar algumas, a Cattleya labiata, Prosthechea fragrans, Epidendrum ciliare, Dimerandra emarginata, Gongora quinquenervis, Polistachya concreta, Trichocentrum fuscum, dentre outras. No Rio Grande do Norte, por exemplo, a Cattleya granulosa, Epidendrum cinnabarinum, Brassavola tuberculata, Encyclia oncidioides, etc. Em Pernambuco e Paraíba, além da Cattleya labiata, Cattleya granulosa, daí o híbrido natural entre elas, C. X Le Czar. Além dessas, muitas outras, como a Encyclia advena, Oncidium barbatum.
5) Não por serem mais comuns, mas o gênero Cattleya exibem uma beleza inconfudível pela sua forma e cores, como a Cattleya labiata, Cattleya amethystoglossa, Cattleya aclandiae, Cattleya granulosa, Cattleya guttata, Cattleya schilleriana, dentre outras.
6) Tomando somente o gênero Cattleya diria que a C. labiata e a C. granulosa seriam as mais raras no sentido de serem exclusivas da Região Nordeste.
7) A própria Cattleya labiata, por ser cobiçada pelos orquidófilos nacionais e estrangeiros, é motivo de preocupação. A destruição das árvores para o plantio de outras culturas, como a bananeira, percebe-se uma escassez da bela orquídea. Existe um trabalho da SEMACE – Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará em parceria com a ACEO – Associação Cearense de Orquidófilos, no sentido de repor esta orquídea nas matas.
8) Entendo por espécie nativa aquelas que os orquidófilos não tem interesse de perpetuar e nestas eu enquadro a do gênero Habenaria, por vegetar solos úmidos, a Scaphyglottis por ter flores imperceptíveis.
9) Sem dúvida alguma a representante máxima do Nordeste é a Cattleya labiata, consagrada a “Rainha do Nordeste”.
10) Por exibirem maior beleza, com certeza as do gênero Cattleya são mais procuradas pelos orquidófilos, objetivando um melhoramento genético ou uma hibridação.
11) Quando um orquidófilo se propõe a cultivar uma orquídea que não seja de sua região, é necessário pesquisar as condições que esta se encontrava no seu hábitat. É possível se cultivar de tudo, desde que ofereça as condições ideais, através de telado, refrigeração ou calefação.
12) É preciso uma consciência por parte dos colecionadores na hora de adquirir orquídeas de orquidários comerciais, deixando as orquídeas nativas no seu hábitat, contribuindo assim para sua preservação.


Cattleya amethystoglossa










Oncidium cebolleta



















Cattleya aclandiae

2 comentários:

katia disse...

Vera, que bela entrevista e que legal lê-la em primeira mão.
Achava que cultivar espécies fossem mais simples, mas vejo agora que para o iniciante na orquidofilia é bem dificil, principalmente se este não tiver conhecimento de seu habitat. Tive experiências desastrosas, inclusive, com uma Cattleya aclandiae que tentei em vão proporcionar um ambiente adequado, mas foi definhando e terminou morrendo.
Agora estou bem mais cuidadosa e procuro ler bastante sobre a forma de cultivo, principalmente por ter mais interesse no cultivo de espécies.
Parabéns pela entrevista! Abraços,Katia

Adenium - Rosa do Deserto disse...

Kátia, a respeito da Cattleya aclandiae, aprendi com um grande orquidófilo de Rio Claro, Sr. Francisco Anaruma, que ela tem mania de superioridade, gosta de está acima de todas, olhando para as que estão em baixo. É do tipo "nariz imbinado", tá podendo!
Grande abraço,
Vera